domingo, 8 de julho de 2007

O pão nosso de cada dia

Se eu perguntasse para cada um de vocês quais são seus aromas e cheiros preferidos certamente as respostas seriam muito variadas, isso porque a forma como sentimos as coisas que estão ao nosso redor certamente não e igual para todos, cada um de nós associa as sensações que sentimos com a situação que estamos vivenciando no momento. Os meus preferidos são o cheiro que a terra levanta quando começa a ser molhada pela chuva e o aroma do pão recém feito. O cheiro de terra molhada me lembra muitos verões da minha infância, quando a criançada brincava na rua e a chuva de verão era só mais um motivo para continuar a festa. E o aroma do pão quentinho me lembra o aconchego da casa da minha mãe e dos meus tios, que preparavam o pão e, enquanto ele ainda estava bem quentinho, devorávamos tudo com margarina.
O pão esta sempre presente na mesa dos italianos, ele faz parte de cada refeição. A imensa quantidade de tipos de pães produzidos por aqui é incrível e acho que nunca vou aprender os nomes de todos eles. Isto porque cada região possui o seu pão característico que pode ser feito com farinha de trigo normal, farinha de trigo duro ou ainda muitos outros cereais, isto sem falar das variedades de formas como a pagnotta (forma redonda), a Rosetta (forma de rosa), o sfilatino (forma longa) ou então a ciabatta que é o pão característico aqui do Vêneto e que tem a forma de “ciabatta” que são as nossas pantufas.
Bom, sinceramente eu nunca soube preparar um bom pão, não sei porque mas pães e bolos comigo não dão muito certo. Mas a alguns dias tive que descongelar o freezer e encontrei um purê de cenouras que tinha feito e então decidi arriscar um pãozinho....e não é que desta vez eu acertei em cheio!!!

Pão de Cenoura e Gergelim

500gr de farinha de trigo
300gr de cenouras amassadas como purê
1 ovo
1 pacotinho de fermento para pão
2 colherinhas de açúcar
Sal a gosto
Água (quanto necessário)
Gergelim para decorar

Juntar todos os ingredientes e sovar a massa por mais ou menos 10 minutos; colocar a massa em um recipiente e esperar até que aumente de volume; sovar novamente a massa por mais uns 5 minutos, colocar em uma fôrma retangular e cobrir com o gergelim; esperar mais uns 15 minutos para a massa crescer um pouco mais e enquanto isso pré-aquecer o forno a uns 180-200°C; assar o pão por aproximadamente 30 minutos.

domingo, 17 de junho de 2007

Para cima com os vegetais!!!

Uma das mudanças mais radicais da nossa alimentação aqui na Itália certamente foi em relação a carne. Quando moravamos no Brasil nossa alimentação era principalmente à base de carne, simplesmente comíamos carne todos os dias, isso era uma coisa natural, a gente nem se dava conta. Me lembro das inúmeras vezes que eu queria fazer uma massa com molho de queijos, que simplesmente eu amo, e o Fabio dizia ¨Tudo bem, mas faz junto um bifezinho¨. Lendo estas minhas palavras a minha prima se perguntaria, ¨Mas será que a Ale virou vegetariana!?¨, não Aninha, não virei vegetariana, mas hoje em dia comemos carne aproximadamente 3 vezes por semana e pra quem comia...vejamos, considerando almoço e jantar...14 vezes, digamos que mudamos da água para o vinho.
Esta mudança tem dois grandes motivos: o primeiro foi basicamente econômico. Logo que chegamos aqui nos assustamos com os preços das coisas e a carne era uma coisa simplesmente proibida já que o preço médio do quilo fica entre 8 e 10 euro. É claro que agora vemos que isso não é tão assustador, mas como no início estavamos gastando as nossas economias em reais, essa foi uma mudança necessária. O segundo motivo foi a qualidade e a variedade dos vegetais aqui na Itália, quando eu vou ao mercado público ou então na fruteira eu fico sem saber o que escolher, isto porque a quantidade de produtos frescos é enorme.
De março até o final de junho é época de aspargos aqui na Italia, este é um vegetal que eu adoro e que no Brasil só tinha experimentado na versão em conserva. Basicamente existem dois tipos de aspargos (pelo menos são duas as qualidades que eu encontro por aqui), um deles é o aspargo verde e é o meu preferido, ele é fininho e fica ótimo na chapa, cozinha muito rapidamente e é bem crocante. Também existe o aspargo verde mais grossinho (o tamanho depende de quanto tempo se espera para colher), mas além de demorar um pouco mais para cozinhar, acho que o sabor do fininho é melhor. O segundo é o branco que se chama Aspargo de Bassano del Grappa (Bassano é cidade onde ele é produzido, e é localizada na provincia de Vicenza, esta cidade também é muito conhecida pela grappa e por um tipo de massa chamada bigoli), este ao contrário do verde, é mais saboroso quando apresenta o diâmetro maior e aqui no Veneto eles adoram comer este tipo de aspargo com ovos fritos.
Bom, ontem passei no meu frutivendolo, uma fruteira pertinho da minha casa, e encontrei aspargos frescos e ótimos tomates, então cheguei em casa e resolvi fazer uma receitinha que eu tinha visto no blog da fiordizucca, claro trocando alguns ingredientes (tenho uma dificuldade muito grande de seguir a receita ao pé da letra, ehehehehe).

Orecchiette com aspargos e tomatinhos ao forno
Orecchiette con asparagi e pomodorini al forno
Receita para 4 pessoas



Ingredientes
500-600gr de aspargos verdes frescos
500-600gr de tomates do tipo piccadilly ou então do tipo cereja.
300-350gr de massa do tipo orecchiette (é um tipo de massa da região da Puglia, se chama assim porque o formato lembra orelhinhas)
1 cebolão (nao estou me referindo ao tamanho e sim ao tipo de cebola)
Manjericão fresco, salsinha, sal e pimenta a gosto.
Óleo de oliva

Colocar o forno para aquecer a 200ºC; lavar os tomates e cortá-los pela metade; em uma forma colocar todos os tomatinhos com a parte cortada virada para cima, temperar com sal e pimenta e um fio de óleo de oliva; levá-los ao forno por mais ou menos 30 minutos ou até então criar uma casquinha na parte de cima dos tomatinhos, mas eles náo devem secar completamente, devem ficar molhadinhos dentro.
Enquanto os tomates estão no forno limpar os aspargos e separar a parte mais macia da parte mais dura, pra fazer isso é só dobrar o aspargo que naturalmente ele vai quebrar separando estas duas partes. A parte da ponta se usa nesta receita a outra parte vocês podem separar e guardar, é ótimo para fazer creme de aspargos ou então um risoto. Em uma panela colocar a ferver a água, quando levantar fervura colocar as pontas dos aspargos dentro por apenas 1-2 minutinhos, não mais que isso porque eles devem ficar crocantes. Então retirá-los rapidamente e colocá-los em uma tijela con água gelada, este procedimento garante que a cor verde do aspargo fique ainda mais verde; enquanto a massa cozinha picar em rodelinhas o cebolão e refogá-lo com duas colheres de óleo de oliva, juntar os aspargos e os tomatinhos (reserve alguns tomatinhos e alguns aspargos para decorar o prato), verificar o sal e a pimenta e acrescentar o manjericão e a salsinha, juntar a massa e misturar tudo na panela por 1-2 minutos até que a massa pegue sabor. Servir imediatamente e bom apetite!!!!

domingo, 27 de maio de 2007

O lado gastronômico da Eslovênia

Este final de semana aproveitamos pra fazer mais uma das nossas viagens "vapt vupt", ou seja, saimos de manhã bem cedinho e voltamos a noitinha. A nossa meta foi Lubiana, a capital da Eslovênia. Saimos às 8 horas da manhã e antes das 11h estavamos já caminhando nas ruas do encantador centro histórico de Lubiana.
A arquitetura é lindissima cheia de prédios elegantes e locais de design. Por ser uma cidade universitária é muito movimentada e de alto astral. O rio que atravessa o centro histórico da cidade é rodeado de restaurantes e cafés que permanecem lotados durante todo o dia. Entre os pontos turísticos marcantes de Lubiana estão a ponte tripla na frente da catedral e o castelo que fica localizado em cima de um morro e que nos dá uma vista maravilhosa da cidade.
Bom, uma das primeiras coisas que nos deparamos ao chegar em Lubiana foi o seu mercado público, repleto de produtos típicos, frutas, verduras e flores. A organização era impecável, todas as barraquinhas vendiam produtos de uma qualidade impressionante. O que me chamou atenção é que todas as pessoas, não importa se velhos ou jovens, vão fazer suas compras no mercado com uma cesta de vime, andam pelas ruas das cidades com estas cestas cheias de frutas e verduras. Achei isso uma coisa muito lindinha e interessante. Certamente não resisti e comprei uma cesta pra mim....eheheh...e não acreditei no preço, apenas 5 euros!!!!!


Depois de caminhar pela cidade decidimos comer alguma coisa tipica e fomos a procura de um restaurante bonitinho, acabamos almoçando em um lugarzinho muito característico, fazia um dia lindo e a temperatura estava agradável, então sentamos na parte externa do restaurante. Era difícil saber exatamente o que era tradicional da Eslovênia, tínhamos lido alguma coisa sobre carne de javali mas não encontramos isso no cardápio, além do mais estavamos já felizes de encontrar um restaurante com um cardápio em inglês já que a maioria dos restaurantes e bares que o povo local frequenta tem o menu apenas em esloveno. No final acabamos escolhendo os nossos pratos... como antipasto pedimos um presunto cru local com figos secos em calda de mel (kraški pršut s figami v domačem medu) e uma sopa de funghi porcini servida dentro de cestinho de pão (domača gobova juha v kruhovi skodelici). A apresentação dos pratos era fenomenal (eu adoro isso!!!!) e o sabor não deixava a desejar. Como prato principal acabamos escolhendo uma polenta tricolor com funghi porcini e presunto grelhado (trobarvna polenta s popeceninai jurčeninai jurčki in pruštom) que era deliciosa, o que eu não consegui entender era se a Eslovenia é produtora de porcini, mas uma coisa era certa, eles usavam muito nos pratos. Além disso experimentamos lulas grelhadas (lignji na žaru) e uma bisteca ao champignon (sesekljam zrezek z jurcki). Tudo muito bom e a bebida foi uma ótima cerveja (pivo), acho que um vinho combinaria mais com os pratos, mas ficamos com vontade de provar a cerveja eslovena... Bom, então pra continuar no clima ai vai uma receitinha da sopa de funghi.


Sopa de Funghi
(Zuppa di funghi)
Receita de Anna Moroni publicada na revista “Cucina Moderna” em outubro de 2005


Ingredientes para 6 pessoas

300gr de funghi mistos*
300 gr de funghi porcini**
1 batata
2 dentes de alho
Salsinha
Caldo de vegetais (de 1l a 1,5l, dependendo da consistência desejada)
Óleo de oliva


Limpar os funghi e cortar em fatias finas; colocar em uma panela 3 colheres de óleo de oliva e um dente de alho, adicionar 2/3 dos funghi e a batata cortada em pedacinhos e deixar refogar por mais ou menos 5 minutos; adicionar o caldo de vegetais fervente e cozinhar por mais 10 minutos ou até as batatas ficarem macias; retirar do fogo e com o mixer ou liquidificador fazer um creme; em uma frigideira colocar o restante dos funghi e refogar-los por 5 minutos com mais 2 ou 3 colheres de óleo de oliva e o outro dente de alho, adicionar a salsinha so no final; juntar o creme com os funghi refogados, verificar o sal e deixar cozinhar por mais alguns instantes.
Esta sopinha pode ser servida em porções individuais dentro de uma pão redondinho ou então dentro de cumbuquinhas de cerâmica. Uma idéia legal é colocar a sopinha dentro de cumbuquinhas e cobri-las com um massa folhada e levar ao forno por cerca de 10 minutos ou até então a massa ficar doradinha...fica lindo!!!!

* Qualquer tipo de funghi, pode ser champignon, shimeji, shitaki, ou seja, aqueles que se encontram mais facilmente no supermercado.
** A receita original pede funghi porcini fresco, mas dificilmente se encontra no Brasil, então é possível substituir por funghi porcini seco equivalente a 100gr, mas não esquecer de deixar amolecer como indicado na embalagem.

terça-feira, 22 de maio de 2007

Che pasticcio ho combinato!!!

Ontem quando cheguei em casa estava inspirada....abri os armários pra ver o que tinha dentro e me lembrei que há alguns meses tinha encontrado uma super oferta das massas De Cecco (http://www.dececco.it/) e acabei comprando vários pacotes. Aqui na Itália a maioria das massas que a gente encontra no supermercado são ótimas, mas em relação a massa pra lasanha acho que a da De Cecco é a melhor. Eu nunca consegui me acostumar com as massas de lasanhas frescas que a gente coloca diretamente no forno, eu sou das antigas e adoro a De Cecco porque é daquelas que se cozinha em água antes de colocar no forno, e decisamente não é nada trabalhoso. Esta massa deixa a lasanha com as camadas bem definidas e não empapa e depois de ir ao forno as beiradas ficam crocantes...humm, simplesmente é maravilhosa!!!

Lasanha com brócolis, tomatinhos cerejas e bacon
(Pasticcio di broccoletti, pomodorini e pancetta)

Receita para 4 pessoas

Ingredientes
300gr de molho branco (eu usei pronto, não é o melhor mas é muito prático)
150gr de queijo ralado (eu usei grana padano)
250gr brócolis
250gr tomatinhos cerejas fatiados
2 cebolões inteiros fatiados (eu adoro, tem o gosto muito suave)
200 gr de bacon picado (só a parte magra)
300-350gr de massa de lasanha

Colocar o brócolis em água fervente por 4 minutinhos tirar da água e cortar em pedacinhos. Cozinhar a massa da lasanha por 4 minutos na mesma água do brócolis. Antes de colocar a primeira camada de massa eu espalhei um pouco de molho branco e algumas rodelinhas de tomatinho, assim criei um pouco de umidade entre a forma e a primeira camanda de massa. Colocar a primeira camada de massa e passar uma fina camada de molho branco (o molho branco deve ser colocado sobre todas as camadas de massa, então atenção!!! a camada deve ser finíssima), colocar 1/3 do bacon e 1/5 dos cebolões, completar com um pouco do queijo ralado. Colocar mais uma camada de massa e sobre esta camada colocar 1/3 do brócolis e mais um pouco de queijo ralado. Em cima da próxima camada de massa colocar 1/3 dos tomatinhos cerejas e 1/5 dos cebolões, também aqui completar com queijo ralado. Repetir mais uma vez todas as camadas e finalizar a lasanha com o resto do brócolis, dos cebolões, do bacon e dos tomatinhos. Levar ao forno pré-aquecido à 200ºC por 20 minutos. A cada duas camadas eu coloquei um pouco de pimenta moída, mas isso vai do gosto de cada um. Ah, sal eu não coloquei porque o bacon era muito salgado. Espero que vocês gostem!!!

segunda-feira, 21 de maio de 2007

Minha gente, eccomi qua!

Durante muito tempo me perguntei porque nunca fiz um blog meu, contando tudo aquilo que estou vivendo aqui na Itália...eu sei, eu sei…muitos de vocês me perguntarão se não estou um pouquinho atrasada já que fazem dois anos e meio que estou por aqui. A questão é que a vontade de escrever eu sempre tive, mas vencer a inércia é uma coisa incrivelmente difícil principalmente para mim que não sou um talento no mundo editorial. Além do mais não queria fazer um blog igual a outros milhares que existem por ai, limitando-me a contar simplesmente as minhas viagens e experiências, eu gostaria de ter um enfoque maior e falar sobre alguma coisa que realmente me desse prazer e que através disso eu pudesse dividir com vocês um pouquinho da vida que estou vivendo aqui do outro lado do Atlântico.

Hoje de manhã enquanto eu preparava a Moka do nosso tradicional café “all'italiana” e o cheirinho maravilhoso de café exalava por toda a cozinha eu tive un insight e pensei, mas claro!!! Porque não pensei nisso antes??!! É sempre assim, as minhas melhores idéias aparecem quando eu estou na cozinha, os melhores papos e reuniões entre amigos são aqueles ao redor da mesa da cozinha....a cozinha simplesmente ilumina os meus pensamentos e têm um lugar especial na minha vida. Então meus amigos é isso mesmo...a partir de agora vou dividir com vocês as minhas inspirações culinárias, a maneira como estou vivendo a gastronomia europea e principalmente a italiana, as minhas receitas e os meus atos de rebeldia contra elas, enfim, tentarei expressar os meus sentimentos através da cozinha.
Pra começar essa nossa viagem pelo meu mundo culinário europeu temos que partir no início, e certamente nada é melhor que um ótimo aperitivo!!!
A Italia possui uma quantidade enorme de osterias que basicamente são pequenos bares ondem as pessoas se encontram para beber e beliscar aperitivos no balcão, como por exemplo azeitonas e brusquetas. Certamente umas das bebidas mais consumidas nas osterias italianas é o vinho, uma bebida respeitada e idolatrada pelos italiano e que certamente terá muitos tópicos dedicados exclusivamente a ela. Mas hoje quero falar de uma outra bebida chamada “spritz” e que atualmente é um dos coquetéis mais tradicionais e amados do nordeste italiano. Ao girar pelas cidades de Veneza, Treviso, Padova e Trieste percebemos que a preferência por esta bebida não tem idade, e jovens e velhos disputam os mesmos balcões para realizar o sagrado ritual do spritz. A história do Spritz é muito antiga e têm início no século XVIII quando a Itália foi dominada pelos austríacos, o nome vêm do verbo alemão “spritzen” que significa “spruzzare” em italiano, ou seja, mais ou menos o nosso chuviscar. A história conta que neste período os Austríacos desenvolveram o hábito veneto de beber vinho em osterias mas como não eram acostumados com o alto teor alcoólico dos vinhos locais eles começaram a adicionar água ao vinho. Em fim, o vinho misturado com um pouco de agua é o tradicional spritz liso e que ainda é servido na região de Trieste. Todavia o tipo de spritz mais consumido atualmente é uma mistura de prosecco*, água e aperol** ou campari, entretanto é muito difícil dizer qual é a receita exata deste coquetel, ela depende basicamente do barista que a prepara. Bom, na pequena experiência que tive como barista há dois anos atrás tive a oportunidade de aprender uma das versões desta bebida e que na minha opinião é perfeita. Ai vai então....

Spritz (Conforme a tradição trevigiana***)

1/2 dose de Prosecco (champanhe ou espumante)
1/4 dose de água mineral com gás
1/4 dose de Aperol ou Campari (eu prefiro apperol, campari é muito amargo)
1 fatia de laranja para decorar
Gelo a vontade

* Vinho branco espumante
** Aperitivo alcoólico feito com laranja amarga, diversos tipos de raízes e ervas.
*** Da região de Treviso